Acabo de assistir ao
Big Brother Brasil. Não há como não
refletir um pouco sobre as relações humanas, tanto de quem está lá, quanto de quem acompanha pela
tv.
Outra coisa inevitável pra mim, é lembrar da música "O vencedor" do Los
Hermanos, que inclusive, segundo o autor, foi um pouco inspirado pelo programa.
"Olha lá quem acha que perder, é ser menor na vida. Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar..."Talvez a palavra mais dita ao longo do programa é vencedor. Não só vencedor de fato, o tal do ganhar do milhão, mas sim vencedor na vida. Vencedor por suportar o confinamento, vencedor por ter chegado ali, vencedor porque algo os espera lá fora.
Mas, será?
Quantas vezes, quando sai alguém da casa, o Pedro
Bial (
sic) diz:
"Vamos receber o nosso herói";
"Mesmo saindo, ele já é um vencedor".
Isso me faz
refletir muito sobre as condições humanas e a relação de poder da
mídia.
Afinal, qual o conceito de vencedor? Qual a dificuldade em ficar em uma casa sendo visto pelo país todo? Qual o problema de não ser um vencedor? Qual o valor da fama?
É
instigante.
A vida alheia, os relacionamentos, o "espiar" atiça a curiosidade. Isso é óbvio, comprovado pelo alto índice do
ibope e pelo programa estar na nona edição.
Entreterimento, afinal, serve pra isso. Correto?
Porém, alguns conceitos são
distorcidos, e isso confesso, me incomoda.
E continuará incomodando, pois, enquanto durar o programa, duram os comentários. Quando acabar o programa, vem os especiais na
tv, as revistas, sites e etc.
E ainda, depois do contrato terminado com a globo, ainda veremos os "nossos heróis" esgotarem os últimos suspiros de fama nos programas da
redetv, discursando sobre tudo que um verdadeiro herói pode sentenciar: psicologia, culinária, relações sociais, política, medicina e qualquer coisa que dê
ibope.
"Eu que já não sou assimMuito de ganharJunto às mãos ao meu redorFaço o melhor que sou capazSó pra viver em paz".