Abriu os olhos. Era noite ainda, mas não havia sono.
Ligou o som, que o acompanha em quase todas as ações do dia. E da noite.
A sensação era estranha, misturava falta de sono com sentimentos nítidos, contentes e relaxantes. Parecia estar sob efeito de qualquer substância, lícita ou não, mas não era. Pensou, refletiu, ouviu Dick Farney, Raul Seixas, Vinícius e um pouco de heavy metal. Não era muito bem o que queria ouvir naquele momento, mas era a sequência que estava no playlist do dia anterior. A preguiça de levantar foi maior.
Queria comunicar, falar. Mas era tarde para ligar para alguém. Deixou o celular no chão, dentro do tênis. Levantou-se. Foi para a sacada da sala olhar o céu que estava estranho, havia chovido há pouco. Contemplou o silêncio que só é possível sentir as 4 horas da manhã. A sensação ainda tomava conta da sua mente, mesmo não sabendo o que aquilo realmente representava. Só sentia que era bom.
Pouco antes das 6 horas, conseguiu interpretar um pouco aquele sentimento. Talvez foi possível classificar ou rotular o que nem era pra ser.
Mas, aos poucos, entendeu que estava ultrapassando uma barreira, assim, sem perceber.
E isso era bom, ao menos era o que ele sentia.
O impossível, improvável e proibido, respeitosamente o fez perceber o quão infinito é o espírito e a necessidade de alimentá-lo. De conhecimento e desejo.
Não dormiu mais. Mas a essa altura, não fazia a menor diferença.
No banho, ouviu uma de suas músicas preferidas, "make believe".
A melodia do rock iniciaria um dia diferente, estranhamente feliz!